sexta-feira, 5 de maio de 2017

De contas não pagas a exame de vista - Entenda o motivo do Forest lutar contra a degola



*Artigo traduzido do Diário "Telegraph"

Após 5 anos de comando e instabilidade, é inevitável não entender o por quê o Nottingham Forest luta contra a degola na Championship. De técnicos contratados e mandados embora, de incontáveis vendas de jogadores e até mesmo uma reprovação no exame de vista mostram o declínio do Forest sobre a administração da família Al Hasawi.

Ninguém pode duvidar da ambição do Kuwaitiano Fawaz Al Hasawi em investir no Forest. Desde 2012 quando entrou, foram mais de £100 milhões de libras investidos, mas talvez ainda assim não tenha sido suficiente. Ele está sendo substituído pelo milionário grego Evangelos Marinakis que está em estágio final de aquisição do clube e finalmente os torcedores terão esperança de um futuro melhor.

O técnico Mark Warburton foi escolhido com aprovação e indicação do novo dono. Ele é o oitavo técnico da era Fawaz e que enfrenta uma situação delicada na Championship, separada por apenas 2 gols do Blackburn, primeiro rebaixado no momento.

"Os jogadores sabem que um rebaixamento no currículo irá manchar a carreira de todos e ninguém quer passar por isso. É uma pressão que todos temos que lidar", diz Warburton. Alguns dirão que o rebaixamento é um karma, um fato de azar. Mas se você falar com diretores do Forest ao passar dos anos, entenderá o motivo da queda. O modo do Forest operar administrativamente trás incredulidade e tristeza de ver como um icônico clube está sendo tratado. O escritório de Hasawi no estádio não é aberto há meses. Ordens de liquidação e contas de impostos vencidas tem sido frequentes.


Antes do jogo contra o Brighton, por exemplo, os jogadores estavam em um hotel na concentração e descobriu-se que o cartão de crédito do time estava estourado, não permitindo que a conta das hospedagens fosse paga. Desde que Sean O' Driscoll foi demitido no boxing day de 2012 depois de uma vitória de 4x2 sobre o Leeds, o time não parou de descer a ladeira.

O mais bizarro episódio aconteceu na janela de transferências de 2013 quando o Forest iria contratar o jogador George Boyd, do Peterborough. Ficou acertado o empréstimo por 350 mil libras mensais e um valor fixo de £2.5 milhões de libras em caso de contratação definitiva. O presidente do Peterborough recebeu uma ligação na manhã seguinte:

"Recebi uma ligação que estava tudo certo, porém que o jogador teria que ir para Mansfield realizar um exame de vista. Após algumas horas, recebi outra ligação do agente do jogador dizendo que a negociação havia fracassado pois o jogador não tinha passado num exame de vista. O proprietário do Forest não queria mais o jogador por esse motivo. Algumas semanas depois o técnico foi trocado, mas mesmo com a chegada de Billy Davies, eles não quiseram o jogador. Em 56 anos de futebol, nunca havia me deparado com algo assim".

A segunda passagem de Billy Davies pelo Forest aliás foi em um período sinistro da história do Forest e de prêmio apenas o título de ser o técnico com maior tempo no cargo na era Fawaz: 13 meses. Desde então ele não trabalhou mais em nenhum clube.


Nem mesmo o retorno do ídolo Stuart Pearce em 2014 pôde remover as nuvens negras no céu do clube. A presença do jogador que foi capitão e campeão com a camisa vermelha até gerou uma onda de otimismo, afinal o Forest ficou 11 jogos sem perder nessa sequência. Porém problemas financeiros atrapalharam e o clube parou de pagar agentes, jogadores e fornecedores.

Pearce foi sacado após uma derrota de 1x0 para o Millwall em Fevereiro de 2015 e o diretor Faulker que chegou junto com Pearce, também foi demitido algumas horas depois: "Infelizmente o dono do clube não mostra apetite em investir em estrutura para colocar o Forest de volta aos trilhos. Eu não tive apoio nem mesmo nas pequenas ações que poderiam ser feitas para melhorar o modo que o clube operava".

Ultimamente o dono tem operado o clube do jeito que ele acha certo. Mas com o passar dos anos, o resultado em campo não tem mostrado que ele está certo. Felizmente com uma simples vitória no domingo e o clube poderá ter uma nova chance de se reinventar.

Falando em técnicos, os dois últimos, Dougie Freedman e Phillipe Montanier chegaram com promessas de acesso, mas logo viram que não passava de um sonho distante. A venda do jovem e promissor jogador Oliver Burke em Agosto acabou com qualquer esperança que poderia restar.

A venda do clube que foi fracassada em Janeiro para o consórcio americano após meses de conversas também agravou a situação. Mark Warburton só iria assumir o time no fim da temporada, mas os resultados dentro de campo não ajudaram e ele se viu obrigado a antecipar a vinda. Se o Forest sobreviver no domingo, há uma chance de recuperação. Esquecendo da reputação questionável de Marinakis na Grécia, ele é um investidor com experiência no futebol.

Além disso, a base do Nottingham Forest é forte e está crescendo cada vez mais. É uma chance de Warburton testar novos valores para a próxima temporada e provar por quê já teve sucesso na Championship anteriormente. Mas agora o objetivo é evitar que o Forest volte a League One após 9 anos de ausência.

Não é preciso de um exame de vista para ver o que está vindo nos próximos anos.

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