sábado, 15 de dezembro de 2018

Karanka, em entrevista para o site Goal: "O Forest é o projeto que eu queria"


Como jogador ganhou 7 títulos, entre eles 3 Champions League e uma Liga com o Real Madrid. Como treinador, está formando também uma promissora carreira após passar por seleções de base da Espanha e um cargo como assistente de José Mourinho no Real Madrid. Esse é Karanka, agora técnico do Nottingham Forest após ter conseguido um acesso com o Middlesbrough na Premier League de 2016. Na entrevista, ele conta sobre um hipotético retorno a Espanha, de suas relações com os técnicos, além de toda sua sinceridade.

Goal: O Forest está na Championship, mas é um gigante adormecido com duas Champions League. Como é tudo por lá? Como se vive a imagem de Brian Clough até hoje?

AK: Quando recebi o contato do Forest, naquela época estava parado há 10 meses esperando algo que realmente me interessasse. E quando chamaram, era um projeto como eu queria. Independente do dinheiro e de muitas coisas, queria que fosse um projeto como consegui no Middlesbrough. Me facilitava já morar na Inglaterra com minha família, o que era vital. O Forest é um clube com muita história e tudo que tem por trás me atraiu. Estou muito contente por ter aceitado.

Goal: Diz que o projeto é similar ao do Middlesbrough, mas o que diferencia um do outro?

AK: Para começar, a história. O auge do Boro foi uma Copa da Liga e estavam há 6 anos na Championship. O Forest tem copas europeias e há 20 anos fora da Premier League. Isso dá muita distância. Quando chego no Boro, me deparo com um clima um pouco deprimido pela crise. Creio que construímos tudo do zero, pouco a pouco, não foi fácil. Aqui no Forest a troca também foi bem grande. Em um ano tivemos uma troca de 17 jogadores praticamente. Temos o mesmo objetivo de acesso, o que não é fácil. Precisávamos de uma mudança radical desde o começo. A princípio, a reformulação está sendo boa.

Goal: Na Espanha, assiste-se muito a Premier League. Mas, o que pode se dizer aos espanhois que não conhecem a Championship? Por que todos dizem que a competição é de um nível altíssimo, incluindo economicamente?

AK: É verdade. Quando recebi a primeira chamada do Boro, não é que pensei por ser uma equipe de divisão inferior, mas aquela época eu possuía outras expectativas. Então falei com Mourinho e ele me falou da Championship. Ele me disse que não era como uma segunda divisão na Espanha e de que quando eu estivesse lá, entenderia a loucura. Esse ano por exemplo temos 22.500 pessoas que adquiriram o ingresso para a temporada. A média de público está na casa dos 28 mil por partida. Se vai jogar em outros estádios, a média é de 21 mil. Essas semanas atrás enfrentamos o Aston Villa para 41 mil pessoas, por exemplo. Creio que há muita diferença entre a segunda divisão Inglesa e a Espanhola.

Goal: Guardiola diz que há uma diferença com o futebol espanhol que é o trato da imprensa Inglesa que é muito duro, porém mais respeitoso que na Espanha. Concorda?

AK: Para começar, não há tantas pessoas lá como aqui. Há uma roda de imprensa pré partida e uma pós partida. A diferença é que na Espanha 80% das perguntas podem ser sobre outras coisas e 20% apenas sobre a partida. Aqui (Inglaterra) ninguém nunca pergunta nada diferente do jogo, inclusive quando estava na Premier League. Tirando alguns torcedores, não há uma crítica pesada de parte da imprensa. Eles te dão muito respeito pelo seu trabalho, suas trocas, suas táticas.

Goal: Falemos então de futebol. Como é o Karanka treinador? Que estilo quer, qual esquema gosta mais, quais influências possui na carreira?

AK: É uma pergunta muito em moda agora. O estilo, a posse, o físico. No final, vindo da onde eu vim, jogando onde joguei, com minha experiência de seleção Espanhola e Real Madrid, o que tenho de intenção como treinador é que a equipe tenha um estilo próprio. Muitas vezes se vendem muitas coisas, mas no fim o que tem que fazer é ganhar. Ganhar jogando bem é o estilo que eu procuro. As vezes confundem meu estilo organizado com ser muito defensivo e muitas vezes vejo por exemplo a experiência que tive no Boro que não se pode jogar da mesma maneira quando se está subindo para a Premier League com os mesmos jogadores da Championship. Tem que haver uma troca, não importa quantas formas de jogar tenha. O fundamental é melhorar individualmente cada jogador, pois quando isso acontece, o coletivo melhora.

Goal: Na sua opinião, qual foi o principal erro no trabalho do Middlesbrough?

AK: Quando sobe para a Premier League e você vê que as equipes gastam 200 milhões de Libras, enquanto sua equipe gasta 19 milhões e tem de encarar City, United, Arsenal, sendo que no ano anterior jogava a segunda divisão com os mesmos jogadores...esse foi um erro grave.


Goal: O que mais gosta de ser como treinador?

AK: Quando se ganha, ver a euforia dos torcedores indo para a casa. Isso é fundamental, por que quando perdemos eu não vou pra casa bem, vejo as crianças saindo tristes do estádio. Você leva isso pro lado pessoal. O que gosto também é o vínculo que se faz com os jogadores. Nos maus momentos, quando te chamam, você vê que há comprometimento. Criar um grupo unido. Creio que no Boro foi o que me fez conseguir o acesso. E agora no Forest quando trouxe 17 jogadores, mesmo assim formamos uma família, um grupo de amigos e depois de perder uma partida, todos estão juntos novamente.

Goal: Qual é uma das três coisas que te marcou como treinador? Aquilo que não se imaginava ou que podia acontecer e que te surpreendeu?

AK:  Na Inglaterra, não estava acostumado a ser manager. Como treinador, você não negocia, mas aqui deve ter uma relação com agentes, conversar com jogadores. Quando chega aqui, tudo isso é de sua responsabilidade. No final tudo isso me fez ter mais respeito pela função.

Goal: Falando da Espanha, houveram ofertas do país? Quando acabar a temporada seria um bom momento de retorno? Ou seguirá na Inglaterra?

AK: No momento tenho esse ano e o ano que vem de contrato. Firmei 2 anos e meio como no Boro. A ideia é estabelecer a equipe no primeiro ano, tentar os playoffs no segundo e se não der, no terceiro tentar a subida direta. Sobre a volta a Espanha, no futebol nunca se sabe. Agora mesmo quero continuar aqui com minha família. Completarei 5 anos aqui na Inglaterra caso fique até o final. Quero fazer uma carreira tranquila, sem pressa. Sigo fazendo o que gosto e onde gosto. Agora mesmo, poder treinar um clube histórico como o Forest em uma liga magnífica como a Championship e estar com a minha família, isso é tudo que eu preciso no momento.

Goal: Treinaria o Atletico de Madrid um dia? Ou é uma opção que não consideraria?

AK: No futebol como jogador, você vai crescendo e criando uma projeção. Começo no Alavés, vou ao Madrid, ganho títulos, chego na seleção... Como treinador, sábado meu único objetivo é a partida no fim de semana e a preocupação de que não posso perder 2 ou 3 jogos seguidos. Não poso pensar em treinar Real, Barça, seleção ou outro time e em caso de insucesso, voltar um passo atrás. Como treinador eu não tenho essa projeção como jogador, tudo dependerá do que virá.

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