Era Brian Clough

Brian Howard Clough foi um jogador de futebol e posteriormente treinador de futebol na Inglaterra. Nascido em Middlesbrough, em 21 de Março de 1935, começou a jogar futebol na base do Boro em 1951, aos 16 anos. Sua carreira como jogador foi curta, tendo apenas passado por Middlesbrough e Sunderland. No Middlesbrough, marcou 197 gols em 213 jogos em 6 anos de clube, uma média incrível que bateu recordes no clube.


No Sunderland, Brian manteve sua ótima média, apesar das lesões, atuou por 3 anos, anotando 54 gols em 61 jogos. Encerrou sua carreira precocemente com 29 anos por conta das lesões no joelho. Clough também atuou pela seleção Inglesa possuindo 2 convocações, essa uma das grandes injustiças segundo ele diz em sua autobiografia.

Após o encerramento da carreira, foi chamado por Peter Taylor - com quem futuramente faria uma dupla de sucesso, para ser treinador na base do Hartlepool United em 1965, um pequeno time também do Norte da Inglaterra.

Dois anos após sua passagem pelo Hartlepool, Clough assumiu o Derby County em 1967. Após dois anos, levou o clube do norte da Inglaterra para a elite do futebol inglês ao conquistar o título da segunda divisão. No seu primeiro ano de primeira divisão já conseguiu ser Campeão Inglês com a equipe e classificou o Derby para a Champions League em 1972/1973.

O Clube foi bem na competição, sendo eliminado apenas na semi final para a Juventus. Naquele jogo, Clough reclamou muito da arbitragem, insinuando que os italianos haviam comprado a partida. Em 1973, Clough saiu do Derby juntamente com seu assistente Peter Taylor, pois não teve um pedido de aumento salarial aceito.


Brian era um técnico que odiava andar de avião e fazer viagens longas de carro, portanto sempre gostou de ficar próximo de casa, fazendo com que seus times - tanto na época de jogador como na de técnico - fossem localizados no Norte do país. Porém um dia, convencido por seu fiel escudeiro Peter Taylor, foram convidados a treinar o Brighton & Hove Albion, um time localizado no extremo sul do país, em uma região litorânea.

Clough teve uma passagem de apenas 32 jogos no time. Nessa época ele e Peter Taylor tiveram uma briga e se separaram. Clough pediu demissão e foi para o Leeds United (de volta ao Norte) para substituir Don Reevie, que assumiria a seleção inglesa, enquanto Peter Taylor ficou como técnico do Brighton.

Sua passagem pelo Leeds foi extremamente curta, durando apenas 1 mês (7 partidas). Segundo Brian disse, foi uma das piores escolhas de sua carreira. Substituir um técnico que era idolatrado no clube era uma tarefa dura e ele não possuía a mesma moral conseguida no Derby. Outra injustiça falada por Clough era que ele deveria treinar a seleção Inglesa naquele ano, e não Don, causando uma rivalidade com o treinador.

Foi aí que em 1975 o Nottingham Forest contratou o técnico. Voltando ao Norte do país, na vizinha Derby, Clough fez as pazes com Peter Taylor e o trouxe como auxiliar técnico, pois Peter também não estava bem no Brighton. Eles reeditaram a parceria de sucesso e o Nottingham Forest virou uma potência.


Assim como foi no Derby, o Nottingham Forest jogava a segunda divisão na época. Pra variar, na temporada seguinte, Brian conquistou o acesso em terceiro lugar da competição, colocando o Forest na elite do futebol Inglês.

Na temporada seguinte do acesso, mais um feito: O Forest se tornava Campeão Inglês da primeira divisão, assim como havia feito no rival. De bônus, ainda levou uma Copa da Liga Inglesa na mesma temporada.

Foi aí que chegou a temporada 1978/1979 e Clough pôde jogar novamente a Liga dos Campeões da Europa, dessa vez com o Nottingham Forest. Naquela época, a Liga dos Campeões possuía um formato diferente da atual. Somente os campeões e vice dos países eram classificados e não existia a fase de grupos. Todas as fases eram eliminatórias com jogos de ida e volta que eram decididos por sorteio.

Na primeira fase, o Forest enfrentou de cara o Liverpool, equipe que era uma das mais vencedoras de torneios europeus e nacionais. Venceu os Reds por 2x0 e segurou um empate em 0x0, se clasificando pra segunda fase.

Na segunda fase, enfrentou o campeão Grego AEK de Atenas. Na primeira partida na Grécia venceu por 2x1 e na segunda partida, em casa, aplicou uma goleada de 5x1. Na terceira fase, enfrentando os suíços do Grasshopers, fez uma goleada em casa por 4x1 e segurou o empate na casa do adversário.

Na semi final, enfrentou o Colônia da Alemanha em uma partida dificílima. Na primeira partida na Inglaterra, um 3x3 sofrido após estar perdendo por 3x1. Naquela época já havia o critério de gols fora, portanto o Forest foi para a Alemanha precisando vencer. E conseguiu, com um magro 1x0.

A grande final chegou, em jogo único, também na Alemanha contra os Suecos do Malmo. Jogando no Estádio Olímpico de Berlin, o Forest venceu por 1x0 com gol de Trevor Francis, atacante que havia sido contratado exclusivamente para jogar a final. Com isso, Brian Clough e Nottingham Forest conquistavam sua primeira Liga dos Campeões.


No ano seguinte, participou novamente da Liga dos Campeões por ser o atual campeão e conseguiu outro feito: O Bi Campeonato. O Caminho do segundo título começou contra os suecos do Oster em um agregado de 3x1. Na segunda fase, enfrentaram os belgas do Arges Pitesti em um agregado de 4x1.

Nas quartas de final, voltou a Alemanha e enfrentou o Dinamo Berlin em um agregado de 3x2. Na Semi, enfrentou o Ajax da Holanda e após perder de 1x0, reverteu a segunda partida vencendo por 2x0.

Na Final, disputada no campo do Real Madrid, Santiago Bernabéu, o time enfrentou o Hamburgo e também repetiu o placar do ano anterior: 1x0, dessa vez gol de Robertson. Com isso, o Forest ganhava sua segunda liga dos campeões.

No ano que iria tentar o tri campeonato, o Forest foi eliminado ainda na primeira fase em um agregado de 3x2 para o CSKA da Rússia. Após os anos dourados pelo continente, Clough ainda ganhou mais 2 Copas da Liga Inglesa, a última sendo em 1989/1990. Brian treinou o clube até 1993, permanecendo então pelo Forest por 18 anos e conquistando 11 títulos ao todo.


Em 1991, Peter Taylor faleceu e Clough tentou promover como assistente técnico um volante com quem foi Bi Campeão Europeu, Archie Gemmill. Brian treinou o Forest até 1993 e encerrou sua carreira em maio. Naquela temporada, o Forest acabou sendo rebaixado, fato que é contado por Brian em sua autobiografia como um dos momentos mais tristes de sua careira.


Após a saída de Brian Clough, o Forest chegou a voltar a primeira divisão, onde permaneceu até a temporada 1999/2000 e desde então nunca mais conseguiu retornar.



Brian tinha problemas com álcool e acabou falecendo em 2004, na cidade de Derby. Porém o legado do treinador continuou. Seu filho, Nigel Clough foi jogador do Forest nos anos 90 e atualmente também segue os passos do pai como treinador, possuindo também grande identificação com a torcida.


Brian Clough é fonte de inspiração para muitos técnicos como Alex Ferguson, Arsene Wenger e José Mourinho. É um treinador muito admirado pelos ingleses pelos feitos atingidos. Para quem quer conhecer mais a vida de Brian Clough, abaixo seguem algumas dicas de filmes e livros:

Filmes que contam a história de Clough que recomendo que assistam:
-Maldito Futebol Clube
-I Believe in Miracles (documentário sobre a Liga dos Campeões)

Livro com a sua biografia:
-Walking on the Water - Biografia escrita por Clough e seu jogador nos tempos de Forest - Martin O' Neil